Fortaleza é capital mais violenta do Brasil
04/11/2015 - Autor: LOCABRÁS - 19:32

Em entrevista para a Rede TV exibida na segunda-feira (28/09), o ex-ministro Ciro Gomes classificou de extraordinária a gestão de seu irmão Cid Gomes à frente do governo do Ceará, algo “sem rival”. Dois dias depois a Folha de São Paulo publicou matéria sobre uma realização de Cid de grande repercussão nacional: Fortaleza é a a capital mais violenta do Brasil. Os dados são do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, referentes ao ano de 2014.

Recorde de violência

A capital cearense lidera o ranking de homicídios com 77,34 casos por grupo de 100 mil habitantes. No Rio de Janeiro a taxa é de 20,22. Em São Paulo o índice cai para 11,43. A boa notícia, se é que podemos dizer assim, é que em Fortaleza, entre 2013 e 2014 houve uma redução de 0,97%.

É claro que essa realidade é um legado da gestão de Cid Gomes. É preciso dizer isso para evitar certas mistificações e autoelogios desmedidos. Isso não apaga méritos da referida administração em outras áreas, mas inegavelmente é uma nódoa da qual não ele poderá fugir e que será devidamente registrada pela História: nunca a criminalidade avançou tanto em Fortaleza e no Ceará inteiro como nos anos em que Cid governou. Mas, para evitar injustiças, é preciso situar a questão no tempo e no espaço.

Atenuantes e agravantes

A violência tem crescido em todo o país, principalmente na região Nordeste. Ou seja, o Ceará e sua capital acompanharam um tendência devidamente registrada. O fato, entretanto, de Fortaleza figurar como a mais violenta entre as capitais mais violentas, isso é pode ser debitado na conta de problemas de gestão. Vale dizer que nesse mesmo período, Maceió, que em 2013 era a capital mais perigosa do Brasil, conseguiu reduzir seu índice de 81,37 para 69,53, sendo ultrapassada agora por Fortaleza. Não há como fugir da conclusão de que as políticas de segurança no Ceará foram mal planejadas.

Diferença fundamental

Outro ponto que vale a pena destacar é a conjuntura política. Em São Paulo e no Rio de Janeiro, como vimos, estados com capitais muito, mas muito, muito mesmo, menos violentas do que a capital do Ceará, os governadores estaduais são duramente cobrados em matéria de segurança pela oposição, pela imprensa, por entidades não governamentais, pela OAB, pela Igreja e pela própria população. Qualquer crime mais chocante, lá estão seus governadores, responsáveis pela política de segurança, dando explicações, anunciando medidas, pedindo desculpas, colocando-se à frente do problema.

No Ceará, o tema foi tratado como tabu. Tudo o que aliados – e no Ceará quase todos os deputados estaduais são aliados de qualquer governo – se limitavam a fazer era, pasmem, elogiar os investimentos, como se isso bastasse. Quem lembrasse, seja no parlamento ou na imprensa, que os resultados não estavam aparecendo, era chamado, no mínimo, de pessimista. Esse estado de omissão dava a impressão de que boas medidas estavam sendo tomadas, quando isso era falso. Deu no que deu. Uma tragédia construída pelo governo, com o apoio de de muitos.

A esperança é que o governo, apesar de ser de continuidade, mudou.


Fonte: Tribuna do Ceará

peça um orçamento